testeira-loja

No ''mundu ku maka'' nada é de estranhar

Escrito por  Arnaldo Santos

Na tradição quimbundo não há que estranhar as makas

Desde que o mundo é mundo elas sempre existiram, disfarçadas em contradições dialécticas por luta de classes ou simples pulungunzus para o domínio do poder com catanas e kalashes. As makas sempre fizeram parte da essência mais profunda do mundo dos homens.
No entanto, nem sempre as consequências desses confrontos tiveram as mesmas repercussões ou foram aceites da mesma maneira. Depende do entourage e esse entendimento é relevante absolutamente para a compreensão do que aconteceu em França e que ficou conhecido como o "Massacre de Paris" no "Charlie Hebdo".
Ainda que esse acto detestável e hediondo se assemelhe a outros da mesma natureza, este caso estava a bater em todos os media mundiais de uma maneira muito especial. Eu especialmente compreendo quando tento imitar os meus confrades assassinados do "Charlie Hebdo". Ouso afirmar que se trata de um caso paradigmático da ambivalência moral que caracteriza este mundo em que vivemos.
Os jovens franceses que cometeram o morticínio tinham regressado da guerra na Síria, onde lutaram, presume-se, pela democracia contra um despótico ditador. Seriam recebidos com palmas e louvores em Paris, se tivessem sido tão afortunados como os outros mercenários europeus que destruíram a Líbia e assassinaram um dos antigos Presidentes da União Africana - Kadafi. Coube-lhes, porém, pela sorte ou outros ditames mais misteriosos, uma marcha monumental de repúdio. Dessa vez tinham escolhido o lado errado.
Tristes tempos. Mas no mundo Ku maka, estes fenómenos não são raros. Hoje ninguém está livre de viver fora desses factos e ter que enfrentar um surto revolucionário, vindo sabe-se lá de que origens, ou ainda ter que fazer face a mobilizações fortuitas e oportunistas.
Por isso mesmo, embora a nossa Nação, numa feliz expressão de Rainer Muler, embaixador da Alemanha em Luanda, seja hoje vista como "exportadora de estabilidade", ainda assim, percebe-se porque o Comissário Chefe Paulo de Almeida da Polícia Nacional tenha revelado faz pouco tempo, a existência no país de mais de meio milhão de imigrantes ilegais. A nossa benquista estabilidade justifica que se debata sem alardes mas com seriedade, uma política de imigração de compromisso. Os contextos condicionam as escolhas e o terrorismo é inegavelmente um recurso poderoso para influir nas relações de convivência. Embora legitimado pela força, com o andar do tempo tende a transformar-se também na arma dos famintos e humilhados. Está mais ao seu alcance que as armas nucleares.

Fonte JA

Ler 1233 vezes

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

Telefone: (222) 322 421 Fax: (222) 323 205

e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Blogs

blogspotuea1    blogspotueamulembeira           blogspotueanguimba
         
ytlogo2   blog-poetenladen   logotips