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A memória remota não procede para os mais novos, dito de outra maneira mais adequada ao estilo dos meus netos, "não tem nada a ver" com este nosso actual modo de viver.A lembrança de Santos "Kipexe" seria deslocada se ele não se mantivesse como um exemplo abnegado de servir a sua comunidade. Desde manhãzinha, a Luanda dos musseques, que começava a partir da lagoa do Kinaxixi, ouvia o roncar da sua mota com "saidecar", era assim que lhe reconhecíamos. Fiscalizava com seu grande cachimbo sempre fumegante e o cipaio como acompanhante, lixos e águas paradas. E as donas afadigavam-se. O cenho franzido de Santos "Kipexe", metia mais medo que as multas com que apenas ameaçava.
Enfim, não me estendo mais nessas recordações, não quero influenciar ninguém, mas é bom e simples de ver, que vigiar o cumprimento das leis, embora possa ser temido pelos relapsos, tem boa reputação entre os cidadãos. É uma prova directa de que os interesses e bem-estar da sociedade estão a ser observados pelos que governam.
A fiscalização com o andar dos tempos tornou-se em algo de ambíguo, como se tivesse constituído um poder à parte, ou paralelo. Tem casos que parecem não só não comungarem com os seus objectivos benignos, mas como que até se lhes opusessem. É pernicioso para aqueles que se apercebem que não estão a ser governados de acordo com o espírito das leis que só podem ser boas.
No entanto e por um incidente vulgar na minha rua sujeita à Administração da Maianga comprovei que os espíritos raramente estão presentes quando a fiscalização intervém. Era sábado e àquela hora só interessava a quantidade de pingos que poderiam ter sido vertidos na rua, pelos moradores que se atreviam a limpar os seus carros. A fiscalização entendia que era lavagem ao invés de limpeza, tudo era possível na discussão até a semiótica, mas eles eram muitos, traziam grampos para bloquear e carro de reboque com guincho. Foi então que veio à baila a memória de Santos "Kipexe".
São questões de lana caprina, desdenhar-se-á quem não tiver experimentado o poder da fiscalização que o povo passou a identificar de "pentear". Não foi o que aconteceu no caso relatado, mas dele pode extrair-se a conclusão da necessidade urgente de regulamentar as leis sobre as transgressões administrativas. Doutro modo essas práticas arbitrárias podem contribuir para a desmoralização da sociedade e transformar-se de facto num pente para facilitar o esbulho dos mais fracos.

Fonte JA

O meu professor de Ciências Naturais, no Liceu Salvador Correia, um dia levou a turma ao Museu de Angola, ali mesmo no Kinaxixi, com vistas para a Floresta e pátria sonora de mestre Arnaldo Santos.

Na tradição quimbundo não há que estranhar as makas

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