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1 Ana Mafalda Leite

 

Introdução

Observando o leitor a ficção moçambicana ou a angolana e procurando desvelar as várias formas de narrar - recriando - a nação, seus espaços e seus mitos – observa-se de que maneira o olhar do escritor é coadjuvante à criação da ideia de "nação", num trajecto entre a memória, a história, entre a espacialização territorial e a viagem e as estratégias escolhidas de género e ou narratológicas. Verificamos a adequação de novos modos de "narrar", que integram, no seu tecido linguístico e genológico, cruzamentos de tradições culturais, oriundas dos territórios nativos e do ocidente. O tópico da História é uma marca relevante na construção da ideia de nação na narrativa pós-colonial e o da viagem pode ajudar a configurá-lo pela memória, bem como pelo(s) género(s) escolhido(s), autobiográfico, memorialístico, ou outro.

Antonio Carlos Rocha de Sousa 1
Marcus Vinícius Gasperazzo 2
Adelia Miglievich-Ribeiro3

Apresentação

A ciência pode significar um saber que duvida dos discursos do senso- comum ou dos credos religiosos e/ou políticos e de forma sistemática, capaz de ser partilhada intersubjetivamente, quer avançar para além dos pré-conceitos e das generalizações que criam os estereótipos e construir possibilidades de compreensão da realidade mais críveis e mais razoáveis tendo como parâmetros a coerência, a consistência e o ceticismo mesmo que torna qualquer explicação provisória. Disto falava-nos Weber em "A ciência como vocação" (2002). Noutros termos, também Habermas, em sua aposta na "situação ideal de fala" que, antes do predomínio da técnica, supunha uma comunidade de comunicação entre interlocutores sinceros e dispostos ao exercício da argumentação e do convencimento legítimos (Miglievich, 1998).

Resumo: Este trabalho analisa um clássico da literatura nacional "Macunaíma", de Mário de Andrade, de forma a pensar a resignificação e reconstrução das identidades do homem/povo brasileiro. Para tanto, pretende-se trazer para a discussão os Estudos Pós-coloniais com ênfase à problematização da identidade por Stuart Hall, também ao "hibridismo" de Canclini e às discussões sobre "DissemiNação" de Homi Bhabha. As reflexões estão estruturadas em quatro sessões: a primeira trata da apresentação crítica de "Macunaíma", em seguida, faz-se uma análise do "hibridismo" e das tensões e transformações do ideário do "homem brasileiro" e, na terceira sessão, discute-se a identidade como uma produção metafórica. Conclui-se os apontamentos das ideias de nação, frisando-se a cultura nacional como a "zona de instabilidade oculta" onde o povo vive, trabalha e habita. Assim, espera-se poder participar, nalguma medida, dos desafios epistemológicos que se colocam hoje ao pensamento
social brasileiro como área de conhecimento consagrada na sociologia brasileira.

Abstract:This paper analyzes a national literary classic "Macunaíma", Mário de Andrade, in order to consider
reframing and reconstruction of the identities of the man / Brazilian people. To this end, we intend to bring to the discussion Post-colonial with emphasis on the problematics of identity by Stuart Hall, also the "hybridity" of Canclini and discussions about "dissemination" of Homi Bhabha. The reflections are organized into four sessions: the first deals with the critical presentation of "Macunaíma" then it is an analysis of "hybridity" and the tensions and transformations in the ideals of the "Brazilian man" and the third section discusses the identity as an output metaphorical. It notes that the ideas of nation, pointing to national culture as the "zone of occult instability" where people live, work and lives. Thus, it is expected to participate, to some extent, the epistemological challenges facing today's social thinking of Brazil as an area of knowledge embodied in
Brazilian sociology.

Palavras-chave: identidade, Pós-colonial, homem brasileiro, nação.

Keywords: identity, Post-colonial, brazilian man, nation.

A DESCOLONIZAÇÃO EPISTEMOLÓGICA NA PRÁTICA:

Pensamento de outros modos com as comunidades negras da

Colômbia

Victor de Jesus Barbosa1
Luiza Duarte Bissoli2
Cristiana Losekann3

 

RESUMO


Considerando que a colonização da África e do Brasil não se deu apenas no campo econômico, cultural e social, mas também no do pensamento, a presente proposta parte da leitura de Arturo Escobar, de sua noção de descolonização epistemológica e da sua experiência com os negros da Colômbia, para lidar com a colonização epistemológica da América Latina e da África. A leitura dos trabalhos do autor permite concluir que suas ideias ajudam a pensar uma nova pesquisa, ensino e prática nos estudos e pensamento sobre/na América Latina e África, como por exemplo: a contribuição das etnografias locais como método; a importância de ouvir as comunidades marginalizadas, e pluralizar o conhecimento e a realidade; bem, como a mudança das práticas e do paradigma da modernidade eurocêntrica e homogeneizante. Tais contribuições metodológicas e epistemológicas constituem um ponto de partida para a compreensão e valorização do negro na sociedade.


Palavras-chaves: Arturo Escobar. Descolonização Epistemológica. Estudos Pós-coloniais. Epistemologia. Metodologia.


RESUMEN


Considerando que la colonización de África y Brasil no fue sólo en el pensamiento económico, cultural y social, esta propuesta de la lectura de Arturo Escobar, desde la perspectiva de su programa modernidad / colonialidad y de su experiencia con los negros en Colômbia, cuestiona la

A ARTE DE NARRAR EM UM RIO CHAMADO TEMPO, UMA CASA CHAMADA TERRA DE MIA COUTO.

Cristina Vasconcelos Machado1

"A transmissão e o exame dos discursos de outrem, das palavras de outrem, é um dos temas mais divulgados e essenciais da fala humana."

(Mikhail Bakhtin)


Resumo: O presente trabalho tem por objetivo analisar a problemática do narrador no romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), do escritor moçambicano Mia Couto. Esperamos verificar como a polifonia de vozes presente na narrativa, poderá vir a demonstrar um processo de hibridismo. Esse processo de hibridismo será notado tanto em relação à linguagem, quanto em relação à cultura. Para discorremos sobre o universo da linguagem, utilizaremos as teorizações de Mikhail Bakhtin (1992, 1993, 1997). O referido autor ponderou que o romance é um gênero que apresenta diferentes vozes sociais que se defrontam, entrechocam, manifestando, assim, diferentes pontos de vistas sociais sobre um dado objeto, portanto, é um gênero polifônico por natureza. O embate entre duas, ou mais, forças também pode ser observado no âmbito da cultura, uma vez que, os processos de encontro entre os povos, como exemplo o colonialismo empreendido pelas potências europeias, colocou essas distintas culturas em contato, podendo produzir processos de hibridismo. Para dissertamos sobre essas questões lançar-nos-emos nas reflexões de Néstor García Canclini (2011).

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