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É através da literatura oral africana que tradicionalmente ocorria a transmissão de conhecimentos de uma geração a outra. Por muito tempo, essa forma de expressão africana foi considerada de menor valor, mas aos poucos foi obtido o reconhecimento em veículos culturais de maior expressão. Os poetas com origem na literatura oral tinham como preocupação central a situação de opressão do povo sob os colonizadores, e o papel da mulher na sociedade em transformação. Em Angola, antes da independência, nas décadas de 1950 e 1960, a procura da identidade nacional foi realizada por meio da poesia, instrumento para a busca da autenticidade emocional vinculada à luta nacionalista.
A última ouvinte é o título de uma despretensiosa coletânea de contos de Gociante Patissa, escritor natural de Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela (em Angola, claro). O livro foi lançado na última 6.ª F.ª, 17 de Setembro, na Rádio Benguela, delegação da Rádio Nacional de Angola na cidade onde Patissa vive.
Ao publicar, em 1985, Jangada de Pedra, José Saramago formula considerações essenciais sobre a literatura de seu país e da península ibérica, que acabam por evocar a relação da literatura de Portugal e Espanha com a brasileira e as africanas.
Em A "Fortuna" de António Cardoso, os personagens são apresentados num ambiente de musseque, bairro marginal de Angola similar à favela brasileira utilizandose a cor da pele como elemento categórico de descrição e hierarquização sociais.
Sempre me espantou, dada a importância da África na formação do Brasil, a sua quase completa ausência, até há pouco, da nossa literatura de criação da nossa poesia, do nosso romance, do nosso teatro, do nosso conto. Tudo se passava como se o negro tivesse nascido nu no navio negreiro. Despido de passado e de cultura. Pura personagem brasileira. O negro é uma presença constante em nossa literatura, mas não o africano. Nem tampouco o continente de onde veio. Essa falta de curiosidade sobre grande parte de nosso passado já provocara uma censura amarga de Sílvio Romero, nos seus Estudos sobre a poesia popular do Brasil. Escrevia ele, em 1888:
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