Bio Quem

Aires de Almeida Santos

Amou a vida como poeta e compreendeu os homens como poucos

Tantas juras nos trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nos demos.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.
Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nos trocámos.

Extractos de “Meu amor da Rua Onze”. In: Aires de Almeida Santos. Meu Amor da Rua Onze. Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1989, p.71.

Aires de Almeida Santos nasceu no Chinguar em 1922 e faleceu vítima de um tumor em Setembro de 1992. Ainda criança foi viver para Benguela onde fez os seus estudos primários. Viveu na cidade do Huambo onde fez os estudos secundários. Trabalhou em Benguela como contabilista no antigo Grémio das Pescas.

“Eu comecei a escrever muito novo, por volta dos meus 14, 15 anos. Os primeiros ensaios literários, entre aspas, evidentemente, foram num jornal do Huambo, quando eu ainda frequentava o Colégio Alerandre Herculano. Depois, o gosto ficou sempre. O primeiro original que eu preparei deste livro continha na altura cerca de cinquenta poemas. Circunstâncias diversas fizeram com que desaparecessem vários desses meus poemas... e, como diz o David Mestre, deu muito trabalho ir apanhar um aqui, outro acolá, outro além... A minha filha chamou a si esse trabalho e ela tem estado a fazer um trabalho de recolha com uns amigos.”. In: Michel Laban. Angola. Encontro com Escritores. Porto, fundação Eng. António de Almeida, 1991, I vol. p. 81-82.

Foi preso nessa cidade em 1941 devido às suas ideias consideradas subversivas pela polícia colonial. Voltou a ser preso anos mais tarde fazendo parte do “Processo dos 50”. Esteve vários anos preso sendo solto pouco tempo antes da independência, passando a viver com residência fixa em Luanda.

Para ti, querida, Rosas e mel E estrelas rutilantes. Muita ternura e carinho. E o Sol Brilhando muito Em frente ao teu caminho

Deixa comigo o fel, A dor, o desespero. Deixa que eu fira a pele Nos ásperos abrolhos Da vida. Deixa chorar meus olhos, Deixa comigo O peso do sonho tão antigo.

Para ti, querida, Paz, amor, ternura, Estrelas rutilantes. Rosas e mel...

Poema “À Minha Filha”. In: Aires de Almeida Santos. Meu Amor da Rua Onze. Luanda, União dos Escritores Angolanos, 1989, p. 13.

Colaborou em diversos jornais e revistas de Angola como O Intransigente, O Planalto, O Lobito, entre outros. Foi Prémio Nacional de Literatura em 1989. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos.

Figura em diversas antologias como: Antologia de Poesia Angolana, Amostra de Poesia, Poetas Angolanos, Antologia Poética Angolana, Literatura Angolana de Expressão Portuguesa, Poesia africana in rivolta, entre outras. Tem apenas uma obra publicada: Meu Amor da Rua Onze (1989).

Mário António refere-se a este escritor, dizendo: “Ayres de Almeida Santos, radicado em Benguela, é um poeta que se confunde, nas suas qualidades e nas suas limitações, com a cidade mestiça que lhe serve de fundo aos seus poemas. A primeira notícia que tive a seu respeito foi através de «Coimbra em África»: Victor Mattos e Sá, na sua já mencionada conferência, considera-o o poeta mais africano do seu conhecimento; o autor do livro, o dr. Almeida Santos, que o ouviu dizer os seus poemas, refere-se-lhe dizendo «o poeta de quem tenho o nome mas não o talento» - e todos sabemos que o ilustre advogado é pessoa talentosa.” In: Mário António F. Oliveira. Reler África. Coimbra, Instituto de Antropologia/Universidade de Coimbra, 1989, p. 176.

Francisco Soares considera este poeta um caso muito especial “cuja lírica é indissociável da cidade crioula de Benguela. As características técnicas das suas obras (em número pequeno mas espalhadas por antologias do mundo inteiro) assemelham-se às dos poemas de Viriato da Cruz... mas o espaço das referências e o tipo da vivência que pulsa em poemas como «Meu Amor da Rua Onze» impossibilitam o enquadramento pacífico num grupo que se cristaliza principalmente numa revista em que Aires de Almeida Santos nem sequer chegou a participar.”. In: Francisco Soares, Notícia da Literatura Angolana. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001, p.195.

 

Informação Adicional

  • Nascido em: 1922-04-13
  • Naturalidade: Chinguar - Bié
  • Gênero literário: Poesia

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

Telefone: (222) 322 421 Fax: (222) 323 205

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