É ela, que por qualquer fantasia do marido, é agredida, sem mais nem menos, e a sociedade a tolerar tais abusos anti – humanos! É entregue, contra a sua vontade ou escolha, em amigação, a um homem, por vezes da idade do seu pai”
Extracto da Comunicação apresentada pelo escritor a 30 de Julho de 1997, nos festejos do dia da Mulher Africana.
José Samuila Kakueji, nasceu a 15 de Agosto de 1943, em Cainda, Município do Alto Zambeze, província do Moxico, onde fez os estudos primários.
Autor de Viximo, contos de Oratura e Luvale, foi deputado à Assembleia do Povo de 1987 a 1992 e Director do Gabinete de Imprensa do Governo Provincial do Moxico de 1992 a 1994.
Actualmente exerce o cargo de Inspector do Ministerio da Educação e Cultura, no Moxico.
Sobre a inserção do estilo e identidade de J.S: C, no programa da ficção angolana, Inocência Mata diz: “ sobre as narrativas de tradição oral, ou de “expressão oral”, como prefere Lourenço do Rosário, se constrói um outro subsistema literário angolano – não para recolher esse manancial como Raul David ou José Samuila Cacueji que têm vindo, privilegiadamente, a levar a efeito esse trabalho, às vezes na trilha do senegalês Birago Diop. Com efeito, a construção desta feição estética reside no resgate da riqueza do património etnográfico e dos valores tradicionais do respeito oral para os ficcionalizar, levando – os à categoria da fábula, no sentido aristotélico do conceito, num programa de consolidação dos alicerces da literatura africana em universo (espaço – tempo – mundividência)africano. Neste contexto citaríamos A Morte do Velho Kipacaça, de Boaventura Cardoso, A Konkhava de Feti ou Três Histórias Populares, de Henrique Abranches, a níveis diferentes de ficcionalidade. Estes textos são, parece – nos, exemplos de reinvenção e recodificação de símbolos tradicionais e sua integração noutra realidade ficcional e ideológico – política (leia – se Lenha Seca, de Costa Andrade, por exemplo, e a ideologização histórica das estórias, primitivamente missosso (na classificação de Héli Chatelain).”
