Bio Quem

José Luis Mendonça

“O africano está a escorrer como um saco de sal somos filhos do crude e da cinza de um sol eterno negoceia nossos ventres quando nos deitamos noite e dia de orelhas cortadas pela guerrilha. A preto e branco nos cassumbularam Os dentes no siso e no Machimbombo dos mortos a infância Do pólen sitiado toma assento. E içam gruas de vazias bocas o porão Dos nossos sonhos a escorrer Como um saco de sal”

In Angola a Festa e o Luto – Página 269

José Luís Mendonça, nasceu no Gulungo Alto–Kwanza Norte, aos 24 de novembro de 1955. Estudou direito na universidade Agostinho Neto, em Luanda. É jornalista, membro da União dos Escritores Angolanos-UEA e alto funcionário do Fundo da Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em Angola.

“ na boda do povo cresce uma antiga vala/ comum à linha padre/ do caminho de ferro de Benguela/ sonhos doutro país são já cântico/ amargo do sol ouve o batuque / com teus dentes de cazumbi/ esculpido na alma a pau e preto/ Quem monta monta no comboio parado/ e quem paga a conta viaja sobre a pele/ da cabra napalm/No ventre da terra cresce uma antiga sede/ de infinitas linhas paralelas/ ao verdete do cobre do canatga/ Sinos de que país são espremidos/ como roupa húmida de angústia/ sobre os carris deste futuro/ mais – que – colonial?/ Quem monta monta no comboio parado...”

In Angola a Festa e o Luto – Página 268

É autor de Chuva Novembrina (1981), obra que mereceu o prémio de poesia Sagrada Esperança, Respirar as mãos na pedra ‘1989, com qual venceu o grande Prémio Sonangol de literatura – 1988; Quero Acordar a Alva – 1997, prémio de literatura ‘Sagrada Esperança – 1996, ex-aequo com João Maimona; Se a Água Falasse, primeiro prémio dos jogos florais do Caxinde, 1997 e finalmente, Loga – Rítimos da alma, Pemas do mar 1998.

“Escrevo na noite/o barro veloz dos teus cabelos animais/ de oiro na saliva/paridos no trote oxicuanhama desta anhara/ que são os meus braços fecundos da palavra/arrancada ao peito de um deus demolidor.

E a noite devolve – me/ o eco omnívoro de mil automóveis/parqueando no teu seio esquerdo/a escrita de vinho que dardejo”.

In Logaríntimos da Alma – página 44.

Inocência Mata, propõe aos leitores, a leitura da Obra ‘Quero Acordar a Alva’, um livro que na visão da escritora Santomense “ensaia um verdadeiro exercício de diálogo com o instante. O instante do fascínio que a beleza das palavras provoca, o momento de fruição do verbo, do que sugere, e da vertigem que se confunde, não raramente, com o momento do encanto, melhor, do encantamento. Depois, as palavras começam a construir imagens visuais, sonoras, olfactivas, tácteis, mas também mentais, que convergem para o tempo vivido (e sabido), para a realidade a que elas se reportam (aliás, o viver e o saber são dois eixos fundacionais de comunicação na poesia de José Luís Mendonça). E ai, o gozo e o encantamento do instante cedem lugar á visão e á memória do universo que essa poesia evoca. E esse universo, africano e angolano, é feito de corações nocturnos, corações calafetados, náufragos, nómadas, mortos que não conseguem dormir, rugidos da África ferida, fome... Tudo aquilo que o poeta designa como “subespécies do submundo”.

“subsarianos somos/ sujeitos subentendidos/ subespécies do submundo/ subalimentados somos/ surtos de subepidemias/ sumariamente submortos/ do subdólar somos/ subdesenvolvidos assuntos/ de um sul subserviente”

In Angola a Festa e o Luto – página 258.

Jomo Fortunato, editor da página Cultural do Jornal de Angola, professor universitário e crítico literário, classifica JLM como um “Poeta maiúsculo na transfiguração metafórica dos temas que habilmente aborda” e acrescenta que :“Luís Mendonça destacou – se numa altura em que ‘o panorama literário era pouco animador’ arrebatando, em 1981, o prémio “Sagrada Esperança’, com a obra Chuva Novembrina... Poeta de uma postura cívica rara entre nós, Luís Mendonça vem costurando um dizer poético satírico, pautando em linhas de observação da nossa história e da factualização poética do nosso ingente quotidiano. É assim que o nosso egrégio poeta via “o verdade de despertar das cidades”, talvez a esperança adiada dos quimbanguleiros, futuro incerto das crianças, a visão profética como laivos de intensa utopia – do nosso dever como angolanos no poema ‘Reconstrução Nacional, da obra ‘Quero acordar a Alva’...

Informação Adicional

  • Nascido em: 1955-11-24
  • Naturalidade: Gulungo Alto–Kwanza Norte
  • Gênero literário: Poesia

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