Bio Quem

Maria Amélia Dalomba

"o meu "Sacrossanto Refúgio" não é um lugar para todos, porque se a pessoas consegue retratar - se ali, é porque lá está também, encontra - se lá, e tem, também, o seu "Sacrossanto Refúgio" . Os "Sacrossantos Refúgios" são estados do poeta. Não são impérios, mas sim, a própria terra habitada pelos homens".

Extracto de uma entrevista que a autora concedeu a Revista Emigrason, de Cabo Verde.

Amélia Da Lomba, nasceu em Cabinda, aos 23 de Novembro de 1961. Estudou em Cabinda e concluiu o bacharelato em Moscovo, Rússia, na especialidade de Psicologia. Foi jornalista da Emissora Provincial de Cabinda, da Rádio Nacional de Angola e do Jornal (A Célula) em Luanda, e trabalhou em São Tomé e Príncipe, como a Secretária da Missão Internacionalista Angolana.

"Não me abandones
deus/
a procurar/
respostas/
no meu/
entendimento/
é bem mais/
lícito pousar/
a /
cabeça/
no teu manto/
e entregar - me/
certeza/
do teu poder/
não me abandones/
deus/
ao meu/
entendimento/
se dele/
vezes quantas/
fluem/
enganos/
se em falsas/
veredas/
de lodosos/
caminhos/
tem - me/
ele deixado/ não me deixes/
deus entregue/
a mim mesma/
prefiro a paz”.

In Ânsia - página -

Frequentou seminários de jornalismo, administração e Gestão de empresas e formação política. Tem artigos e poemas publicados no jornal de Angola e na Revista Emigrason Angolana, de Cabo Verde. Declamadora, Amélia da Lomba, é membro da União dos Escritores Angolanos. É autora de duas obras literárias, nomeadamente: Ânsia (1995) e Sacrossanto Refúgio (1996).

"porque bamboleias/
teus ramos/
cada vez/
que por ti/
passo/
coqueiro/
desafias - me/
tu/
ou o vento/
vê bem/
que ainda assim/
sombra/
dás a outros/
que não a mim/
eu/
que devasto/
ao teu redor/
erva ruim/
e rego/
debruçada/
tuas raízes/
desafias - me/
coqueiro/
no bamboleio/
dos teus ramos/
mas/
sombra/
das tu/
a outros/
que não/
a mim"

Sobre a escritora, Manuel Rui Monteiro, diz que "Amélia revela nos versos uma quase obsessiva intenção de não perder a ligação entre a palavra e o ritmo que possibilite, uma umbilicalidade entre a poesia e a música.", e acrescenta trazendo conceitos numéricos, que o mesmo é dizer sobre a música dos seus versos: "Na matemática, a autora não perde a indeossincracia cumplicitiva da morna no que toca a saudade, ânsia, perdição, amor e mar. E ‘morna e mesmo costela di mar’. No sentir, o laboratório dos sentidos para a escrita, percebe - se, á primeira vista, que é mesmo feminino. Felizmente a poesia é tão incomensurável que se confunde com o cosmos".

Sobre a poetisa, António Cardoso, tece as seguintes considerações não deixando antes de filosofar sobre o que é a poesia: "Anda po ai, os filósofos e cientistas, saibam - no, ou não, procuram - na.Também em nós, todos nós somos, por isso poetas. Alguns não a consciencializam e não escrevem poesia, vivem - na.Outros vivem - na, ousam e escrevem : Parto difícil. Esquiva, ela a poesia acontece-nos como fruta madura e não sidosa, sorrindo nas margens das árvores.É o seu caso, por vezes, numa imagem, numa ousadia desinibida, profundamente sentida.Como é, a sua estreia, em livro agora a responsabilidade é maior.Ouse mais, no próximo, fuja ao lugar comum, como o diabo da cruz, dê-se toda.Cada um de nós é um ...cosmos...A poesia salva - nos: É a única ecologia possível Ainda virá a tempo para salvar a TERRA?

Adriano Mixinge, historiador, crítico de arte e adido cultural da Embaixada de Angola em França, sobre o erotismo na obra de Amélia da Lomba traça o seguinte quadro de análise:"Amélia da Lomba a poetisa do Sacrossanto Refúgio", tem uma vivência textual muito particular com a erótica e o amor; "Recado de Pássaro" ela ( a narradora ) estabelece uma relação de afecto com o pássaro por intermédio das migalhas; Mixinge cita por exemplo um dos poemas contidos no referido livro: "em "sombra de d" África" ela interroga - se a propósito do frequente bamboleio do coqueiro quando ela passa. No entanto, o coqueiro é mal agradecido"...
Sombra /
dás tu/
à outros/
que não/
à mim" diz ela, para nesta última estrofe o que parecia ser uma erótica elementar, passa a ser a ingratidão do continente africano, impotente em poder proteger os seus próprios filhos; em a "Silhueta Perdida na insatisfação de não poder tê-la presente; no "Meu avental" existe o amor prometido e nunca conseguido. Como nota de rodapé, o diplomata considera que na obra Sacrossanto Refúgio, segunda de Amélia da Lomba, "desfilam outros "personagens", sons perdidos e queridos, vários temas, várias nuances e fundamentalmente, uma sensibilidade afinada".

Informação Adicional

  • Nascido em: 1961-11-23
  • Naturalidade: Cabinda
  • Gênero literário: Poesia

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1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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