Bio Quem

António Francisco Panguila

“de tanto beber o mel de esperança

a boca atropelou o feto

de tanto simular a cruz divina

a vida nasceu a noite

a noite trouxe luto

o luto matou a sede”

In Amor Mendigo – Página - 11

António Francisco Panguila, nasceu em Luanda, aos 15 de Julho de 1963, mas passou a sua infância na localidade de Kiata, município da Kibala, província do Kwanza Sul. Poeta, Panguila é licenciado em Ciências de Educação, na especialidade de História, pela Universidade Agostinho Neto, tendo apresentado como defesa de tese: Impacto Histórico – Literário do Ohandanji, 1984 – 1994.

“a rajada de tuas cordas vocais/ rasga a corrente doce/ do meu ser/a nave do teu orgulho/ ensurdece o meu horizonte/ projectado com a limonada de meus braços/ olvidados no teu frondoso universo/ a erecção de meu canto/ não tem o sopro vivente/ do concurso da tua falação/ olhei a chuva agreste/ incansável de molhar a voz apunhalada/ sem morte nem sul para ser apenas homem”.

In Amor Mendigo – Página – 13.

Foi secretário para organização e Finanças da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL), entre 1984 e 1987, Secretário para Actividades Editoriais (1987 – 1999), Secretário Geral Adjunto (1990 – 1993), vice – presidente da Mesa da Assembleia Geral (1993 – 1998) e presidente do Comité de Honra (1998 até a presente data) da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), de que é um dos fundadores.

“esta tesão que me persegue/ há - de sufocar meu inocente sangue/ se as vezes do céu radiante/ não excitarem as lágrimas de meus poros/ a encontrar a foz do sonho/ para capitalizar a desgraça/ a esgravatar a terra queimada”.

In Amor Mendigo – Página - 5

É autor de O vento do Parto. Poesia (1993) e Amor Mendigo. Poesia(1997).

“na doçura da idade/ o sul chora no coito forçado/ o sexo sangra longe da ave – picasso/ a naufragar no bolso/ na doçura da idade/ a noite povoa o sexo da mocidade/ o mel foge dos lábios da mulher/ que procura escaldante beijo/ quando o sol for sol/ despir – se – á todo/ para mostrar aos mortos/ as cicatrizes da respiração/ na doçura da idade” In Amor Mendigo – Página - 22

Foi vencedor, em 1996, da 1ª Edição do Prémio Literário Cidade de Luanda, (género poesia), por ocasião das comemorações do 420º aniversário da cidade capital de Angola. Os seus textos estão publicados em jornais e revistas nacionais e estrangeiras, nomeadamente: Revista Novembro, Jornal de Angola, Suplemento «Domingo» de Maputo, Moçambique e Revista Cassendo da Associação Angola – Portugal.

Para a historiadora brasileira, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco, os poemas de António Panguila: “reflectem um mal estar ante o estado actual de penúria social em que vive Angola, vítima do neocolonialismo, cuja acção é a de manter a estratégia de exploração das riquezas angolanas. A irónica referência ao vosso tio ( que pode ser interpretada como uma alusão ao Tio Sam, ao poder instituído internacionalmente pelas potências controladoras da economia mundial ...), evidencia a dicção crítica do poeta a denunciar a exacerba política capitalista norte – americana dos tempos actuais, cuja prática tem sido a de continuar a espoliar os países considerados «emergentes» e «pacificados». A maior parte dos poemas do livro Amor Mendigo, alerta para o facto da tensão social em Angola ter feito « morrer o mar», ter provocado o « anoitecer» (d)o amor». Eros, desse modo sucumbiu ao peso das contribuições e o amor se tornou «mendigo», a esmolar perdidas ilusões. As utopias se afogaram em um «mar palavras». Os discursos perderam o pacto semântico de honra dos tempos libertários. As águas marítimas, então, se fizeram espelho de decepção e de desesperança. Mas cabe salientar que o verbo mendigar, além de significar «pedir esmolas», apresenta ainda um outro sentido: « o de esquadrinhar, esmiuçar, esgravatar». E é justamente isso que faz a voz poética : busca, por intermédio da força e da consciência desse « amor mendigo», « esgravatar a terra queimada» até encontrar a « foz dos sonhos, « o mar em festa com a perna». O oceano, angustiado diante da profusão de palavras enganadoras e da morte que assola o país, ganha, entretanto, nos versos de « Na festa do mar», uma dimensão também arótica e política. O erotismo pode ser explicado pela simbologia mítica da palavra « perna » que, em algumas culturas africanas, se reveste de grande importância social. Desse modo, os enlaces do « mar com a perna» metaforizam, nesse poema de António Panguila, a esperança de o contexto angolano poder ainda vir a se transformar, reatando vínculos sociais essenciais para uma vida colectiva mais harmoniosa e coerente...”

Informação Adicional

  • Nascido em: 1963-07-15
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Poesia

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