Bio Quem

Adriano Botelho de Vasconcelos

a manhã
chega sempre depois de mim por
isso estou onde sempre estive num
altar de tristeza
e lágrimas na
altura do
coração

In: Emoções, p.62

Poeta, escritor e político. Fez o curso de Administração e Comércio e o Politécnico de Gestão em Portugal. Esteve ligado a várias atividades de desenvolvimento comunitário no exterior do país. Foi Diplomata em Portugal, onde exerceu o cargo de Adido Cultural da República de Angola, durante seis anos. Foi eleito deputado pelo partido MPLA, na eleição de outubro de 2008. É Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos. Viveu quase uma década num exílio consentido e, talvez por esta razão, sua poesia tenha muito de cosmopolita.

Adriano Botelho começou a escrever na 4ª classe. Sua proposta de escrita, considerada pela família como surrealista, não levou propriamente em conta o drama da colonização. Foi em sua vertente poética que Adriano Botelho mais se permitiu dar voz ao "outro", opondo-se ao princípio estilístico da estandardização da linguagem angolana. Em Lisboa, durante a sua estadia, Adriano Botelho lançou o Jornal Angolê, Artes e Letras; no Porto, reuniu mais de duzentos especialistas de literatura angolana - encontro muito concorrido, que possibilitou ao poeta a organização de textos sobre a obra de Agostinho Neto. Com mais de 500 páginas e intitulada A Voz Igual, Ensaios sobre Agostinho Neto, a obra reuniu mais de 24 especialistas atuantes em várias Universidades dos diversos recantos do mundo. Adriano Botelho organizou também várias coletâneas, dentre as quais: Boneca de Pano: Colectânea do Conto Infantil Angolano (2005); Caçadores de Sonho: Colectânea do conto Angolano (2005) e Todos os Sonhos: Antologia da Poesia Moderna Angolana (2005). Editou os jornais Unidade e Luta (1974); Angolê, Artes e Letras (1984) e Maioria Falante (Rio de Janeiro, Brasil). Ao longo da carreira, foi agraciado com o grande Prémio Sonangol de Literatura – Ex-aequo (2003), pela obra Tábua. Suas obras Olímias e Luanary foram adaptadas para o teatro. O Webdesign do Site da UEA (www.uea-angola.org) também foi concebido pelo poeta.

  • 1974 – Vozes da Terra.
  • 1975 – Vidas de Só Revoltar
  • 1983 – Células de Ilusão Armada.
  • 1984 – Anamnese.
  • 1988 – Emoções.
  • 1996 – Abismos de Silêncio.
  • 2003 – Tábua – Grande Prémio Sonangol de Literatura –Ex-aequo – 2003.
  • 2005 – Boneca de Pano:Colectânea do Conto Infantil.
  • 2005 – Caçadores de Sonho : Colectânea do Conto Angolano.
  • 2005 – Todos os Sonhos:Antologia da Poesia Moderna Angolana.
  • 2005 – Olímias.
  • 2007 – Luanary.

          2009O Amor é Sempre Agora.

Inocência Mata, professora de Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, reconhece que, em Emoções, a voz poética do sujeito emerge numa ambiência de quase angústia sobre o homem, questionando, enquanto fazedor (determinado) do mundo contra o qual se ergue - e questionando-se ora pela sua passividade, ora pela sua cumplicidade. (MATA apud UEA)

 Em O Sólito e o Insólito em Adriano Botelho, Jurema de Oliveira examina o processo de construção poética do escritor e deixa entrever que a força da narrativa e da poesia africana de língua portuguesa está, de uma maneira geral, envolta num universo repleto de elementos que retratam o substrato “violência”, normalmente oriundo dos fenómenos sociais e políticos. Esta marca se apresenta ora sutil, ora explosiva, ora mítica, num conflito decorrente do descompasso dos valores da tradição, transformados abruptamente durante os anos de colonização e de guerra civil. Quanto ao discurso do poeta, Oliveira diz:

O discurso poético de Vasconcelos repousa ora na imaginação material, ora nos substratos da violência. As vozes representadas na poesia deste escritor guardam as marcas insólitas provocadas pelas ações violentas desmedidas. Esta prática independe de números, mas quando ela encontra respaldo no conjunto, no coletivo, torna-se mais perigosa. Sendo assim, tanto nas práticas militares quanto nas revolucionárias a idéia de individualidade desaparece e dá lugar a

uma espécie de coerência grupal, um sentimento intenso de união, de vínculo aos princípios básicos da violência pela violência, que encontra motivação no ódio profundo contra os seus opositores, mas também contra os seus pares. (OLIVEIRA apud Pambazuka News)

 Ainda sobre a análise do discurso poético de Adriano, acrescenta Oliveira:

 Nas obras de Vasconcelos, as versões do passado são reatualizadas com imagens elaboradas por um procedimento produtor de opiniões, que articulam experiências só evidenciadas no presente, com a reconstrução factual. Reconstrução esta capaz de promover o questionamento de vozes individualizadas e coletivas que compõem o mosaico poético e trazem à tona as águas revoltas do passado, para reinterpretá-las no espaço literário onde ocorrem reflexões acerca do “silêncio [que] fez a noite ser mais longa pelo rabo de uma cobra que toca os tambores que ainda guardam as lágrimas dos kombas”. (OLIVEIRA apud Pambazuka News)

Inocência Mata, professora de Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, reconhece que, em Emoções,

 

a voz poética do sujeito emerge numa ambiência de quase angústia sobre o homem, questionando, enquanto fazedor (determinado) do mundo contra o qual se ergue - e questionando-se ora pela sua passividade, ora pela sua cumplicidade. (MATA apud UEA)

 

  

Em O Sólito e o Insólito em Adriano Botelho, Jurema de Oliveira examina o processo de construção poética do escritor e deixa entrever que a força da narrativa e da poesia africana de língua portuguesa está, de uma maneira geral, envolta num universo repleto de elementos que retratam o substrato “violência”, normalmente oriundo dos fenómenos sociais e políticos. Esta marca se apresenta ora sutil, ora explosiva, ora mítica, num conflito decorrente do descompasso dos valores da tradição, transformados abruptamente durante os anos de colonização e de guerra civil. Quanto ao discurso do poeta, Oliveira diz:

 O discurso poético de Vasconcelos repousa ora na imaginação material, ora nos substratos da violência. As vozes representadas na poesia deste escritor guardam as marcas insólitas provocadas pelas ações violentas desmedidas. Esta prática independe de números, mas quando ela encontra respaldo no conjunto, no coletivo, torna-se mais perigosa. Sendo assim, tanto nas práticas militares quanto nas revolucionárias a idéia de individualidade desaparece e dá lugar a uma espécie de coerência grupal, um sentimento intenso de união, de vínculo aos princípios básicos da violência pela violência, que encontra motivação no ódio profundo contra os seus opositores, mas também contra os seus pares. (OLIVEIRA apud Pambazuka News)

Ainda sobre a análise do discurso poético de Adriano, acrescenta Oliveira:

 Nas obras de Vasconcelos, as versões do passado são reatualizadas com imagens elaboradas por um procedimento produtor de opiniões, que articulam experiências só evidenciadas no presente, com a reconstrução factual. Reconstrução esta capaz de promover o questionamento de vozes individualizadas e coletivas que compõem o mosaico poético e trazem à tona as águas revoltas do passado, para reinterpretá-las no espaço literário onde ocorrem reflexões acerca do “silêncio [que] fez a noite ser mais longa pelo rabo de uma cobra que toca os tambores que ainda guardam as lágrimas dos kombas”. (OLIVEIRA apud Pambazuka News)

 

Dados Bibliograficos

OLIVEIRA, Jurema José. O Sólito e o Insólito em Adriano Botelho. Disponível na www: <URL:http://www.pambazuka.org/pt/category/African_Writers/52026

MATA, Inocência. Literatura Angolana: Silêncio e falas de uma voz inquieta. Lisboa: Mar Além, Edição de Publicações, 2001.

________. BioQuem. Disponível na www: <URL: http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=70

VASCONCELOS, Adriano Botelho. BioQuem. Disponível na www: <URL: http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=70 

VASCONCELOS, Adriano Botelho. Todos os sonhos – Antologia da Poesia Moderna Angolana. Luanda: UEA, 2005. 

OLIVEIRA, Jurema José. O Sólito e o Insólito em Adriano Botelho. Disponível na www: <URL:http://www.pambazuka.org/pt/category/African_Writers/52026

 

MATA, Inocência. Literatura Angolana: Silêncio e falas de uma voz inquieta. Lisboa: Mar Além, Edição de Publicações, 2001.

 

__________. BioQuem. Disponível na www: <URL: http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=70

 

VASCONCELOS, Adriano Botelho. BioQuem. Disponível na www: <URL: http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=70

 

VASCONCELOS, Adriano Botelho. Todos os sonhos – Antologia da Poesia Moderna Angolana. Luanda: UEA, 2005.

 

Informação Adicional

  • Nascido em: 1955-08-08
  • Naturalidade: Malanje
  • Gênero literário: Poesia, Ensaio

Contacto

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1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

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