Juliana Pedro nasceu há vinte e dois anos, em Malange. É Engenheira Civil pela Universidade do Minho. «Cumplicidades», edição da autora, é a sua primeira obra, composta de vinte e sete poemas.
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«Nada mais existe
O tempo pára
O maestro descompassa
Coração pulula feito
Uma gazela amedrontada...
Mas o sino toca
O batuque revolta-se
O mágico delira
O feiticeiro move os calundus
Os céus escurecem
Impedindo (talvez) a homogeneidade da lua.» (p.21)
Rosa Sil, ensaísta, considera a jovem Juliana muito adulta poetisa e «como Alda» adianta que não «se deixa enlear em modismos epocais; antes busca essencialidade. Busca-se entre mundos, entre-mares um Eu-eu. Nesse trajecto semelhante, a inevitável diferença. Outro tempo histórico, contextos inausentificáveis do texto diversos, vivências outras».
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«Há amores dispensados
Contrariados pela ironia de pensamentos
Desconjugados que se cruzam num ciclo vicioso
De almas pecadoras
Há vigas suspensas
Que balançam em cada projecto executado
Alertando a iminência de enlaces breves.» (p. 31)
A analista considera que a obra não é feita só de «ressonâncias intensas e íntimas de Alda Lara», a sua leitura identificou «outras vozes vindas desses tempos da literatura fundacional angolana ancoram em cumplicidades. Temas, jeitos de fazer, jeitos de dizer», naturalmente, diferentes «malambas» do Povo Angolano.
«A obra de Juliana é o espaço lírico para onde o drama da perda de uma história foi transferido. Responder a essa ausência da história passada e abrir o espaço para uma História futura, como o diria Ricaeur referindo-se à operação da metáfora criativa, é tarefa assumida pela poetisa que ao mesmo tempo faz o seu Auto-retrato (Negritude)».
ABV/UEA-Digital
