Bio Quem

Pedro Hendrick Vaal Neto

“Foi no Kuando Kubango que me veio a ideia de escrever sobre o grande mercado “Roque Santeiro”. Com efeito, naquela altura, quando nos encontrávamos num momento de lazer – eu e os colegas que me acompanhavam numa curta missão de serviço – alguém levantou a questão de saber se o Roque era ou não um cancro no seio da cidade de Luanda. Falava – se dele como que se tratasse dum mundo totalmente diferente do resto da capital, um covil de delinquência, um antro de imoralidade e de miséria que nos assustasse e ameaçasse como coisa nova. Ora o que acontece no Roque, passa – se no centro das cidades do mundo inteiro, em proporções maiores e mais frequentes de dia e de noite, nos maciços dos arranha – céus arrefecidos pelo ar condicionado, nas ruas largas e estreitas. Os muitos escritórios escondidos por trás de paredes de cimento e vidro em Nova Yorque ou Lisboa, são autênticas bancadas de mercado, onde gente engravatada faz negócios sujos e limpos, tal como no Roque... Muitos dos finos apartamentos são transformados em “casas de sarrar” onde mulheres e homens feitos “sarritas” perdem o decoro e se embrenham no lamaçal da luxúria e da indignidade”.

In Roque Santeiro – Romance de um mercado – Introdução.

Pedro Hendrick Vaal Neto, nasceu a 22 de Novembro de 1944, no Kwanza – Sul. Estudou em Caconda , Ambriz, Huambo, Benguela e Luanda. Participou em vários seminários políticos na Suíça, Zâmbia e nos Estados Unidos.

“Depois de 15 Anos de Idade, dediquei toda a minha vida á Libertação do Povo. Conviveu com ele nas matas e, Durante treze anos, percorri mais de Oitenta Países do mundo para defender a sua causa”.

Em 1963, perseguido pela PIDE, junta – se aos guerrilheiros no Norte de Angola e com eles segue para a República Democrática do Congo, onde frequenta com sucesso o Institut National D’Études Polítiques.

“Por dentro e por fora. Todos desejavam que ele saísse do mercado e que fosse “ morrer longe”. Diziam que nascera feiticeiro. Em sua casa, ter-se-ia tornando desde criança numa espécie de antropófago, saindo à noite, em segredo, para degustar refeições de carne humana com outros da mesma laia, organizando orgias dessa tipo com os “ colegas” a quem era obrigado a retribuir com membros de sua família, matando-os pelo feitiço para lhos oferecer. Dizem que fora tratado em crianças, mas ninguém acreditava, pois o seu olhar traía-o: um olhar brilhante e fixo, num semblante sereno mas muito frio. Tivera já duas mulheres que o abandonaram sem explicação plausível ( elas nunca quiseram confessar as razões).Não tinha filhos e agora vivia só. Fazia algum dinheiro nas suas vendas, mas mantinha um aspecto sempre miserável. Hoje tivera bons resultados. Iria buscar a amante, uma quarentona solteira que conhecera no mercado, e passaria a noite com ela. Amigos, não tinha ! Havia quem não acreditasse na história que sobre ele se contava terreno fértil no seio de gente supersticiosa cuja número no Roque não era nada pequeno. Tais eventos, se assim podemos chamar, são elementos da mística africana. Nenhum homem moderno teria a coragem de os assumir. Porém, a frequência com que são contados fazem deles autênticas realidades. Serão verdadeiros? Serão falsos Só deus sabe. Mas aqui é tão ridículo responder que sim como responder que não! Pois, na dúvida, perguntei a várias pessoas se eram verdade. Responderam-me que sim e isso não me surpreendeu. Retorquiram-me dizendo que se o feitiço é o meio exterminador dos negros, as armas são meio exterminador dos brancos. Seja como for, não compreendendo nada disso, fico-me por aqui.

In Roque Santeiro – Romance de um Mercado.

“o inequívoco acerto na escolha dos temas para as suas obras, o empenho ao dar – lhe corpo, mas, sobretudo, a profundidade quer do verbo como da acção narrativa, fizeram do autor de Vagueando e Roque Santeiro um produtor de classe ímpar que pode, se quiser, deixar – se onde está, sem correr qualquer risco de ostracismo ou de consideração menor. Assim diz Luís Fernando, o prefaciador da obra Roque Santeiro. Para o jornalista: “quem conhece Vaal Neto na força vulcânica do seu ser que é homem de e para muitos mais, pelo que será lícito aguardarmos todos, por nova entrega para deleite e fruição. Em prosa ou poesia, quiçá numa mescla suculenta de ambas, haveremos de ter, ao que tudo indica, mais Hendrick para ler, porque as penas leves abominam a reforma e a preguiça castradoras”...

Informação Adicional

  • Nascido em: 1944-11-22
  • Naturalidade: Kwanza - Sul
  • Gênero literário: Romancista

Contacto

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