Bio Quem

Domingos Van-Dúnem

Domingos Van-Dúnem nasceu em 1925, na localidade de Mbumba, no Caxito. Fez os seus estudos primários em Luanda, onde passou parte da sua infância. Foi operário gráfico e funcionário público. Em 1945 desempenhou as funções de secretário de redacção do jornal O Farolim, publicado em Luanda desde 1932. Colaborou em vários jornais publicados em Luanda, Lourenço Marques (hoje Maputo), Lisboa, tendo intensificado a sua actividade jornalística na década de 40. Foi dirigente da Liga Nacional Africana, do Clube Teatro de Angola, co-fundador do conjunto musical “Ngola Ritmos” e do Grupo de Teatro “Gexto”.

Esteve preso na colónia penitenciária da Baía dos Tigres em 1961 devido às suas actividades políticas.

“...E, numa manhã de sol, Segunda feira, recebi a visita de Agostinho Neto. Elegantemente vestido, assumindo um ar grave que, entretanto, não escondia a fraternidade de espírito que dominava os seus sentimentos. Travámos um diálogo de que resultou uma amizade que se estendeu pela vida fora. Tive assim – direi hoje – a honra de receber e levar às colunas do jornal o primeiro artigo em que Agostinho Neto se firmava revolucionário, propondo mudanças político-culturais, embora com as limitações das circunstâncias...” Domingos Van-Dúnem sobre a publicação do primeiro texto de Agostinho Neto no jornal O Farolim. In: Lavra & Oficina, Gazeta da UEA, II Séria, nº5, Set./Out. 1998, p.5.

Após a independência desempenhou alguns cargos de direcção em instituições culturais, nomeadamente como director da Biblioteca Nacional de Angola e como representante de Angola junto da UNESCO em Paris.

O seu primeiro conto intitulado A Praga foi publicado no Diário de Luanda, em 1947, assim como dois artigos nomeadamente “Breves considerações a roda de um grande tema” e “Notícia sobre Rui Noronha”. Possui textos publicados em revistas estrangeiras como a Colóquio/Letras, em anuários como Buch und Lesen International (Alemanha), Book Trade of the World IV-Africa (Nova York)

“O Coronel Cristóvão António, desperto por uma voz estranha e agressiva, estrebuchou, virou-se para o lado da janela e acomodou-se, ao comprido, com a mão sobre a testa em posição de escuta, movimentos que decorreram sem perturbar o sono da companheira. ... E a voz cavernosa voltou a largar improprérios provocando a exaltação dos escutantes mais próximos do local.” In: Domingos Van-Dúnem. Uma mulher Endiabrada. Conto inádito. Lavra & Oficina, Gazeta da UEA, II Séria, nº2, Março/Abril, 1998, p.5.

As suas obras apesar de publicadas depois de 1974 reflectem a experiência pessoal e da sua geração, vivida durante o tempo colonial. Recebeu o prémio Óscar Ribas pela sua obra “Auto de Natal” em 1972. Ficcionista e contista, é membro fundador da UEA.

Sobre O Panfleto, diz-nos Christophe Wondji: “...Em cena os conflitos sócio-culturais que agitam a comunidade dos africanos colonizados, em particular o conflito entre as tradições e a modernidade que opõe nas famílias urbanas a juventude escolarizada aos seus mais-velhos fiéis aos valores ancestrais.” In: Domingos Van-Dúnem. O Panfleto. Luanda, União Dos Escritores Angolanos, 1988, contracapa.

As suas obras publicadas são: Auto de Natal (1972), Um História singular (1975), Milonga (1985), Sobre o vocábulo Kitandeira (1987), Kuluka (1988), Dibundu (1988), O Panfleto (1988).

Salvato Trigo ao prefaciar “Milonga”, escrevia: “O discurso de Milonga, no que diz respeito ao seu aspecto verbal, recorre ao hibridismo lexical e morfossintáctico, cujos fundamentos mergulham longe na história colonial de Angola e que a chamada “Geração da Cultura” tão bem soube cultivar. A fala de Domingos Van-Dúnem, em Milonga, brota espontânea, sem preocupações de retórica ornamental, apenas coma vontade de, naturalmente, aproximar a literatura do povo, fazendo-o rever-se e louvar-se no realismo social das estórias."

Luis Kandjimbo, analisando as personagens femininas na obra deste escritor diz-nos: “De um modo geral, os textos de Domingos Van-Dúnem estão marcados pela demanda da história social e de seus actores, salientando-se nessa estratégia o recurso a códigos plenamente apropriados. Estamos a referir-nos à utilização da analepse e da incursão homodiegética do autor. A analepse aparece na cosntrução de enxertias textuais que, para além de servirem as técnicas de rememoração orientam-se para o fornecimento de sentido. A sua manifestação é normalmente anunciada sob duas formas: (a) nas digressões biográficas de alguns personagens; (b) no discurso de outras. ...” In: Luis Kandjimbo. As Personagens Femininas na obra de Domingos Van-Dúnem.

“Xiquito fumava e tinha extravagâncias. Era o ídolo das gentes da sua idade. Às de futebol. Ponta esquerda com uma brasa que nenhum guarda-redes conseguia ver. Nem o Matozo que era o melhor do Museke Braga. Certa ocasião, os companheiros levaram-no ao campo dos coqueiros e treinou coma equipa do Sporting. Nem o Norberto Franco fez farinha, com ele. Caramba... Xiquito é que é... Perigoso. Semanas depois alinhava num Sporting-Atlético e deu que falar. Formidável! Xiquito é que é... Sua fama aumentava com o rodar do Tempo. Ídolo. Nenhuma pequena lhe resistia. Tinha quatro namoradas e, aos sábados, nos «Cidralinos », haviam sempre brigas por sua causa. - Minino Xiquito, eu já te comecei a falar-te muito tempo. Estas cuesas de bailes e bolas e mais viços costumam trazer doença de peito. Bem, estó só te avisar-te...” In: Domingos Van-Dúnem. Uma história singular. Luanda, Lito-Tipo, Lda, 1975, p.12.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1925-08-18
  • Naturalidade: Mbumba, Caxito
  • Gênero literário: N/A

Contacto

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