Bio Quem

São Vicente

“Acenda-se com vozes a música para agasalhar esta mulher e que as almas à paisana retinem aos adornos as vozes és bela demais para não nos inquietar o quanto de ti não és

pois a vida continua aos teus olhos

porque se nos perdemos, perdemos tudo

e quem sentirá a saudade do futuro sonhado?

fogo que arde sem se ver

está sempre em mim

e já nem sabes quanto de ti sou eu

ou quanto és a memória daquilo que ainda seremos. Excerto do livro de poemas “Ela, andua”

São Vicente é economista de profissão. Foi um dos principais animadores da Brigada Jovem de Literatura de Luanda. Publicou entre outros livros dedicados à economia, dois títulos de poesia, nomeadamente, “Sul do sol” (1990) e "Ela, a andua" (1995)

põe-se toda em vão

ela não se rende mas entrega-se

e ama a admirara do avesso, do excesso das emoções

e da penumbra do estendal de despeitos

ela se dá e regressa a ti e antecipa-te

aqui te consolas contra a doçura de uma beleza esfuziante

a ausência torna-se presença adivinhada nos rastos que aterrarão em ti

diante dele sentes a tua imensidade para seres feliz

nem dizes o que serás, indefines o que és e sonhas o que fostes.

A propósito do seu livro de estreia escreve o crítico literário Lopito Feijóo que "(...) por se tratar do mais longo texto poético que a História da literatura angolana conhece. Um texto em que o poema parte-se e reparte-se longitudinalmente através da sua extensão no plano estrutural, incidindo conteudisticamente sobre o espaço Histórico e Geográfico de uma realidade objectiva da qual se distancia analogicamente na textura".

O também poeta Lopito Feijóo conclui que “O SUL DO SOL (é) um texto com vários poemas que poderão ser tidos em função de uma maior ou menor independência de cada uma das páginas lidas, apesar de que, aceitamos que, citando Alberto Soares, “grande parte da poesia , que hoje se faz e publica, se caracteriza por uma impersonalização individual dos poemas, em favor de uma unidade de conjunto do livro em si. Como se este fosse apenas um só longo dizer, um só longo poema”.

Na contra - capa do seu segundo poemário lê-se: “Poesia de diamante, clara e dura, eterna. Na sua poesia garimpada com paciência e invenção. São Vicente separa as palavras da terra que as enlameia, da pedra que as confunde, da corrente que as arrasta. A sua poesia respira a contemporaneidade e aspira à posteridade, sabendo que para ter a segunda precisa da primeira”

A nota ressalta que “A poesia de São Vicente faz explodir as emoções e os ritmos, ruminando o mistério das palavras. Em “Ela, Andua”, São Vicente reinventa a poesia de beleza profunda iniciada em “Sul do Sol”. O poeta faz da sua obra uma experiência de descoberta e vivência da vida incontronável e de uma força encantadora tão difícil de a ela se sucumbir...Inédita e original porque é uma poesia feita de energia e do sentido dos ritmos de sentimentos e pensamentos. Angolaníssimo e frontal porque o poeta traz sempre consigo a sua capacidade para converter todas as formas em intensidades que nenhuma outra linguagem pode nomear.

O apresentador refere ainda que “São Vicente é o autor angolano que afirma a absoluta soberania da palavra poética. Que inventa a moderna poesia angolana porque a sua obra poética ilumina a nossa língua, do raro e do indizível que cada palavra ou gosto contêm.”

Informação Adicional

  • Nascido em: 1960-03-16
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Poesia

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