Bio Quem

Aristides Pereira

“Está miúda tem que começar já a ganhar então o dinheiro para ela. Eu mesmo só tinha catorze anos quando me venderam. Vá lá, você ainda tinhas os teus catorze anos. Eu, se te digo mesmo minha irmã, ainda faltava para fazer treze anos!... E o dinheiro, se te digo também, nem um só tostão vi. Minha tia e todas as gajas se embebedaram durante dois dias. Nem se importam das minha lágrimas. Foi mesmo sô Anselmo que me desonrou quando ele era ainda empregado da loja do Batista. E essa miúda... me diz ainda de quantos anos ela tem mesmo? - Quinze? - - Sukuma!... o que mesmo, com quinze anos ainda está mesmo a esperar que as outras abram as pernas para ela comer?”

In Estórias Antigas – Página 39

Aristides Pereira Van – Dúnem, nasceu em Luanda a 17 de Setembro de 1937. Tendo iniciado a actividade política em 1953 quando estudante da Escola Industrial de Luanda, é preso em 1956 pela divulgação das resoluções da conferência Afro – Asiática de Bandung.

“Era à tardinha, quando o sol já desaparecia, que nós, sentados num telheiro do quintal, rodeando vovó Kiala, pedíamos para que ele nos contasse algumas histórias que conhecia. A maioria das vezes o velho se fazia rogado e só depois de muito instado se dispunha a contar – nos alguma coisa. Mas na tarde que mais retenho na memória, a da última narrativa, não!... Vovó Kiala estava muito preocupado, parecia tomado por uma vontade determinante de dizer – nos alguma coisa, e logo que, assediando – o em coro, pedimos «vovó Kiala conta – nos uma história; conte!...», o velho, olhando – nos fixadamente, logo começou: Foi numa extensa região ao longo da margem esquerda do rio Kuanza que o povo acampou, cansado da longa marcha que havia empreendido há já uma lua...”

In Estórias Antigas – Página – 61

Novamente preso em 1961, e, igualmente, no ano de 1964, e só é libertado em 1969, tendo ficado com residência fixa, em Luanda, situação a que o 25 de Abril de 1974 poria fim.

A sua actividade literária inicia – se em 1955 no Jornal do bairro indígena «O Movimento». Colabora ainda no Jornal «Trabalho e Estudo» e posteriormente, em 1959, no Jornal da Associação dos Naturais de Angola.

Participa, a partir de 1961, em concursos literários promovidos pela Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, em Luanda, e para o prémio mota Veiga dirigido pela «Revista Prisma».

“Noutros tempos, no lugar em que paramos, havia uma mulembaira grande. Como muitas, espalhadas pelos musseques, o progresso não poupou, varreu tudo. Muxixeiros, imbondeiros, cajueiros e mafumeiras, tudo foi varrido, não ficou nada, e até a mafumeira grande da lagoa do Kinaxixe, os homens não tiveram medo, cortaram mesmo e no lugar puseram aquele prédio muito alto; unh! Um dia vocês vão ver só... vai cair, nessa lagoa tinha então Kianda...”

Assina a 11 de Novembro a Proclamação da União dos Escritores Angolanos de que é membro. Já desempenhou o cargo de Director Nacional dos Petróleos.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1937-09-17
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Prosa

Contacto

AV. Ho-Chi-Min, Largo das Escolas
1.º de Maio - CEP 2767 Luanda

Telefone: (222) 322 421 Fax: (222) 323 205

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