Bio Quem

Anny Pereira

“Recebi finalmente notícias de Angola, embora não as esperasse tão depressa. Foi bom, gostei, fiquei feliz. O médico saiu daqui agora e diz que vai operar – me as mãos amanha, pelo que ficarei uns dias sem poder escrever. Isso deixou – me um pouco triste, pois terei de ficar sem o meu melhor confidente, o papel. Mas como a dor nos dedos se tem tornado insuportável, não há melhor remédio do que cortar e de vez. Também para quem já foi tão cortada, um pouco mais não vai fazer grande diferença”...

In Uma Vez Só Não Basta – Página 37.

Anny Pereira, diz de si própria: “Identidade é tudo aquilo que de momento gostaria de partilhar com as outras pessoas, pois é como me vejo, me sinto me encontro e me desespero. Nasci no mundo, nele cresci e nele moro, em parceria com o meu irmão Vinícius de Morais”.

“ Sou mulher e mãe. Não sou bonita nem feia, não sou alegre nem triste. Consigo ouvir, sem chorar, do Adágio de Albinoni ás Lágrimas Negras de Feleiciano, passando por muitas outras. Gosto do meu trabalho e faço – o com prazer. Sou uma mulher livre dentro dos padrões da sociedade a que pertenço. Ando bem direita e passo quase despercebida no meio de qualquer multidão. Não amo especialmente a vida, mas vivo – a sem mágoas nem rancores. Amo sim os meus filhos, a minha família, os meus amigos. Anny Pereira In UMA VEZ SÓ NÃO BASTA – P – 15”

Autora de Uma Vez Só Não Basta e 14 Poemas em Abril, Anny Pereira, diz que “tenciono seguir os caminhos de mulher e mãe, à espera que o meu amigo Manuel Bandeira me guarde um lugar no Reino de Pasárgada, para onde irei um dia descansar. Uma das suas marcas, a intertextualidade, aqui expressa num poema de António Jacinto.

“ Eu queria escrever te uma carta, amigo/ uma carta que falasse/ desta vontade de correr e de voar/ de agarrar as estrelas no céu/ e de soltá – las na praia deserta de Santiago/ eu queria escrever – te uma carta, amigo/ uma carta que falasse/ dos sonhos desfeitos que nas noites cálidas/ se cruzam, se misturam e se confundem/ com sonhos utópicos não possíveis/ nem mesmo no reino encantado de passárgada”.

In 14 Poemas em Abril – Página 22”

Com a obra “Catorze Poemas em Abril”, Anny Pereira, foi menção honrosa do Grande Prémio Sonangol de Literatura - 1998, enquanto que com a obra Uma Vez Só Não Basta, venceu o prémio Literário António Jacinto, também em Abril do mesmo ano.

“ O poeta não nasce como que por milagre, por geração expontânea. Assim como se acreditava antes que nasceriam os fungos e outras menoridades aparentemente sem serventia. Assim escreve Darío de Melo, no prefácio da Obra Uma Vez Só não Basta. O escritor continua, afirmando que: “ a escrita como terapia (será que a felicidade pode ser tanta que necessite de terapia? ) pois, dizíamos nós que a escrita como terapia não é coisa que o mundo desconheça. Diz – se que ajuda à infelicidade. Diz – se que faz bem á aflição. Mas, julgo eu que é como todas as desculpas: Aceitam –se, mas não curam feridas, nem apagam cicatrizes. Foi este, o sofrimento, que levou à invenção deste livro que não sendo de poemas é escrito, por quem é, verdadeiramente, poeta. (Eu gostaria de ter tido a coragem de escrever “poetisa” que é mais a contento da ciência do meu tempo, quando o José Maria Relvas pontificava nas gramáticas do nosso entendimento e nem todas as palavras admitiam a incomum androginia do sexo. Mas vieram – me dizer que poeta sim, e “poetisa” que não. Diminuía a mulher...

Para a professora Luisa Dolbeth e Costa: “ Em 14 poemas em Abril, viajamos para tempos de amargura nesse domingo ou nessa noite não esquecida, mas viajamos também para espaços de sonho e de aventura, lá para a praia Santiago. Porém, a sua vitória sobre os «nãos» é conseguida correndo e voando de continente em continente, em exercício de intertextualidade, levando – nos com ela, nessa viagem, a visitar Vinícius, Gedeão ou Alda Lara entre outros. E, nesse exercício de descoberta de outros textos, que aponta para a intertextualidade tão marcante no seu estilo, a Anny descobre – se (nos), despindo – nos o seu «Eu» e mostrando – nos, simultaneamente, uma vertente humana e sofredora, por um lado, mas lutadora, corajosa e entusiasta, por outro lado”.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1951-01-02
  • Naturalidade: Bié
  • Gênero literário: Poesia

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