Bio Quem

José Caetano

“Empurrada pela fama, Jassenta Saúde gostou da proposta de Ntamba Kabonda para a maior reportagem da sua vida sobre o Império Bakelele que, segundo ele, era a pérola da monarquia em África.« O reino Bakelele é um bom exemplo de harmonia tribal entre grupos heterogéneos, os nativos rejeitam o termo democracia porque não reflecte a Grande Cultura, que é a sua lei fundamental, aprovada pelos Kotas do senado». Com estas palavras Jassenta deixou-se convencer e embarcou. Na pesquisa que efectuou, ficou a saber que os Bakeleles defendiam a sua cultura com unhas e dentes; possuíam tradições ricas; eram caçadores e artesões; guerreiros e escravos; intelectuais, atletas, comerciantes, artistas e líderes espirituais; cada sub-grupo Bakelele tinha líderes e opositores, dentro e fora do reino, «Bakelele possui um protectorado, como todos os reinos do passado, com a diferença que aqui fazem-se filmes. Trata-se de Bakelywood», disse Kabondo acrescentando: « O aglomerado é próspero e diz-se que os seus naturais possuem uma esperança e qualidade de vida invulgares, para o contexto africano...”

In 42.4 - A voz dos Dibengos - Página 61

José da Costa Soares Caetano, pseudónimo literário de Tazuary Nkeita, nasceu em Luanda, aos 11 de Janeiro de 1956. Jornalista de profissão, Tuazay fez o ensino primário e secundário em Ndalatando e Luanda de 1963 a 1977. Fez o curso de jornalismo agrário no Instituto «George Dimitrov», Bankya, Bulgária em 1978. Fez igualmente o 4º ano do curso de direito da Universidade Agostinho Neto.

Foi chefe de redacção da ANGOP de 1975 a 1984; chefe da secção de informação internacional do DIP do MPLA de 1984 a 1990; director do gabinete do ministro da comunicação social e actualmente exerce o cargo de jornalista da Organização Mundial da Saúde em Angola.

“As palavras são levadas pelo vento, diz um velho ditado popular. Para dona Kixiquila, as palavras faziam parte da vida. Tinham carne, ossos, tutano por dentro e um «coração» que regulava o tom do que ele dizia. Se fosse boa nova a senhora dançava pulava a cantava; se fosse injúria, ou má notícia, lagrimava e espumava, se não ficasse dias e dias rogando pragas. De pé, as pernas de viúva jovem em leilão, como presunto esperando melhor oferta, dona Kixiquila batia com as mãos nas ancas; gesticulava com as pontas dos dedos atirados ao céu, e ameaçava com maldição, como quem expulsa um intruso: « Deixem de se meter na minha vida! Eu não vos admito atrebusos...”

In 42.4 - A voz dos Dibengos - Página - 89

A Obra “42.4 - A voz dos Dibengos”, foi a primeira obra do autor, lançada em 2001 em Luanda, o livro foi ainda apresentado nas cidades de Benguela, Caxito, Namíbe e Maputo. A obra mereceu a crítica de vários ensaístas culturais, e passamos a transcrever os pontos essenciais dessas análises:

“É um trabalho que entendo poder ser utilizado , um dia, como crónicas de Aldeia, semelhantes aos imorredouros escritos, de Júlio Diniz, romancista português do século XIX, por exemplo, (mas no nosso contexto nacional), e que servirá para ajudar e preencher um vazio de leitura, que se faz sentir principalmente no meio da nossa juventude". Quem o diz é Luís Neto Kiambata, para ele: “ Na voz dos Dibengos estão consignados todos os esforços possíveis para serem utilizados como referência do passado, para melhor se compreenderem ideias da existência própria de extractos da nossa sociedade , que por causa de uns desconhecerem e outros ignorem, recordam a todos valores da sociedade tradicional sacudidos e atirados para um esquecimento confrangedor. Salvemos pois os ricos ideais da nossa Tradição!"

Jorge Macedo, escritor e musicólogo diz: “ A voz dos Dibengos, constitui hábil e artístico exercício de denúncia político - social, debate de ideias, esgrimas filosóficos e sobre assuntos candentes do drama angolano". O escritor afirma ainda que “ fruto da aturada e exaustiva pesquisa de valores culturais angolanos e internacionais, mais que mera narrativa, «A voz dos Dibengos», conseguiu transformar-se numa enciclopédia sócio-político-cultural, sui generis”.

Para o escritor Raul David (ver o seu verbete no link Bio-quem), o autor: “dá-nos imagens vivas do ambiente da cidade, nos aspectos da evolução, do mesmo tempo que é intérprete revelador das expressões da gente do subúrbio, transmitindo ao leitor usos e costumes de etnias diferenciadas pela origem, mas convivendo no mesmo perímetro, fazendo-se entender no fraseado em linguajar comumente conhecido do suburbano".

Raul David sustenta ainda que: “O livro contém a descrição fiel da gente humilde, sem quaisquer pretensões, sem o exibicionismo do argentário mais atento ao pavoneio das máquinas da juventude agarrada às modas que provocam o murmúrio das mais velhas escandalizadas com a liberdade a que chegaram as jovens de hoje, numa atitude nunca vista nos seus tempos quando a etiqueta e civilidade eram padrões que deixaram saudades. Concluímos, enfim, que a obra vem preencher um lugar necessário para quem procura ler sem o enfado das páginas massudas”.

A obra mereceu igualmente o reparo do cronista moçambicano Pedro Chissano. Na sua alocução feita aquando da apresentação do livro em Maputo, PChissano teceu as seguintes considerações: “ Eu pessoalmente fiquei particularmente comovido com a história do “primo Mbaxi que ensinava a miudagem a amarrar fios de linha na perna de gafanhotos, obrigando - os a voar e a aterrar baixinho, como avionetas”. E eles chamaram a isso “linhas aéreas de gafanhoto”. Este livro está escrito, eu já fiz referência, em linguagem muito clara, muito simples, muito cuidada. É aquilo que podemos dizer «Carne sem osso!». Um livro digno de ser lido. Eu tive o privilégio de ser um dos moçambicanos a lê-lo. Por isso, leiam-no porque não se vão arrepender”.

Informação Adicional

  • Nascido em: 1956-01-11
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Prosa

Contacto

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