Bio Quem

Teresa Maria de Sousa Gouveia

“-Nem tudo foi um mar de rosas. Muitas vezes sentia-me carregada e sozinha, como que usada na governação e sustento do lar, mas acabava por compreender que isso acontecia devido ao excesso de dignidade do meu esposo e sabia que quando terminasse a faculdade tudo mudaria e compensar-me-ia por todo aquele tempo de dedicação, amor e sacrifício. Eu achava que daquela vez a nossa união seria indestrutível. Sara muitas vezes sentiu-se triste e revoltada quando o companheiro trocava o convívio familiar aos fins-de-semana estudando com os seus companheiros da faculdade. Chorava de raiva e impotência, não conseguia deixar de esconder a decepção e o ciúme que lhe consumia a alma, mas não procurou na bebida o alento que julgava precisar, pois definitivamente aquele caminho não a levaria a nada”.

Excerto da pág. 46, in Derradeira Chance, prémio António Jacinto 2002, editor INIC.

Teresa Maria de Sousa Gouveia, Tenina para os amigos mais chegados, nasceu na cidade do Namibe em 1963.

Fez os estudos primários e secundários na província de Cabinda. Trabalhou na empresa petrolífera Cabinda Gulf Oil Company durante oito anos. Actualmente exerce funções de Assistente Administrativa na ONG, World Vision.

Desde aos catorze anos que tem experiências criativas, escreveu poesia que guarda inédita nas gavetas, para além de compor músicas e gostar de declamar.

Sobre a sua primeiro livro «A Derradeira Chance», obra vencedora do galardão António Jacinto de literatura, concurso organizado pelo INIC, Gabriela Antunes, professora de literatura, tece breves considerações sobre os aspectos estruturais do livro: “ TG narra com angústia, mais do que com técnica, uma estória que pode ter sido a dela, como a de qualquer uma de nós…É um primeiro livro e esperemos que não o último desta mulher que quer enfileirar-se ao lado de muitos que levam o nome ao exterior do país, através da literatura”.

“Sara enfrentara mais cerca de dezoito meses de nova luta contra o vício, sempre difícil. Cada dia mais difícil que o outro. Perdeu amigos novamente (falsos, oportunistas) perdeu o emprego, mas a porta dos seus familiares não se fechou. O seu marido foi incansável, mas depressa a saturação tomou conta dele. Convenceu-a a passar algum tempo longe da cidade e do ambiente que a rodeava. Mais uma vez seria dolorosa a separação, mas Sara queria vencer definitivamente o vício, tinha medo de que fossem atingidas proporções tão drásticas como as anteriores.”

Excerto da pág. 50, in Derradeira Chance.

Jimmy Rufino, membro da UEA e crítico literário, no texto de apresentação da obra revela que Derradeira Chance é “uma obra literária cuja súmula contextual e temática se nos revela tão palpitante, esfusiante, revitalizante e gratificante (…) conviverão parágrafos abundantes de sórdidas experiências que multifacetam a aparente criativa bola de cristal do vício”.

Para Jimmy Rufino, «A Derradeira Chance», “formula o arquétipo conceptual da sua abordagem narratívica, no fulcro da qual, acontecimentos, factos e trivialidades inerentes ao ciclo do vício, permitem o emergir das consequências naturalmente dolorosas do curso de acontecimentos, numa acepção de causa/efeito, e daí, o ganhar da consciência e do instinto de sobrevivência individual passível de assegurar o seu auto-resgate. (…) Trata-se do caso de Sara que, com a sempre pronta solidariedade de sua família, se empenha profundamente na luta pela sua salvação individual, já inadiável. Daquela que, por miséria cultural e social, preconceituosamente apelidavam de “drogada””.

Como resumiu Gabriela Antunes, a escritora Teresa Gouveia conta-nos a estória de uma mulher, aparentemente com tudo para ser feliz: beleza, inteligência, amor da família e do homem amado… Mas a tentação, a fraqueza, o gosto pelo álcool levam a protagonista à desgraça, ao abandono, à separação dos ente queridos… (…) a obra serve para mostrar o sofrimento de muitos, a dificuldade da cura, mas ao mesmo tempo, a vitória.

Informação Adicional

  • Naturalidade: Namibe
  • Gênero literário: Prosa

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