Bio Quem

Alberto Oliveira Pinto

"Não estou acometido por fantasmas que perseguem o homem branco angolano"

In Revista Angolé - Entrevista concedida em Outubro de 2001 - Lisboa.

Alberto Oliveira Pinto, nasceu em Luanda em 1962 e vive há muito em Lisboa, a capital portuguesa. Licenciado em direito e exercendo actualmente a carreira de advogado, Alberto Oliveira Pinto prestou serviços durante o ano de 1987 no diário de Notícias Jovem, onde publicou vários textos de ficção, sendo premiado por diversas vezes.

"A gente em Luanda tinha umas barrocas debaixo da casa, para onde dava a balaustrada do jardim. A varanda era gradeada de verde e naquela altura o meu corpo cabia perfeitamente por entre as grades. Da primeira vez que me lembro de ter acordado deparei com a baía do lado esquerdo, delimitada pela marginal, e do lado direito, A Rua Diogo Cão, que descia ao encontro da fortaleza. A nossa Casa era no alto da encosta e todo aquele panorama se me oferecia por entre as grades da varanda, que era onde eu me apoiava. Mas lá ao fundo, no fim do capinzal das barrocas, havia uma casa de telhado vermelho e passadeira de saibro a dar para a rua, que aparecia coberta por uma nuvem de poeira e de onde saíam e entravam frequentemente brancos, pretos, mulatos, cabritos, cafusos e outros muitos pequeninos da distância"...

In Eu A Sombra da Figueira da Índia - Página 9.

Além da sua colaboração no Diário de Notícias Jovem, AOP, foi repórter, revisor editorial e autor de textos no programa televisivo Rua Sésamo.

"Era uma vez três pastorinhos. Eram duas pastorinhas, a Lúcia e a Jacinta, e um pastorinho, o Francisco. Passavam os dias sempre a cantar como aquela pastora da cantiguinha da escola, enquanto as ovelinhas pastavam na erva verde das serranias. Um dia em que os três pastorinhos, a Lúcia, a Jacinta e o Francisco, reuniam os respectivos rebanhos num grande vale e caminhavam felizes, a cantar de mãos dadas, descalços, na erva fresca, até á sombra de uma árvore grande, divisaram um clarão que iluminou a árvore e os mobilizou. No alto da copa verde, a luz foi aos poucos tomando a forma diáfana da Nossa Senhora. Lúcia, a mais velha, viu e ouviu divisou os contornos da virgem. Quanto ao Francisco, esse só sentiu o clarão iluminar a árvore e a relva, e o som de uma música suave e bela que não soube identificar, mas que se parecia com a que ele próprio soltava com frequência da flauta de cana durante o pastoreio"...

É autor de Eu á Sombra da Figueira da Índia, O Trabalho dos Meninos, O senhor de Mompenedo e a Travessa do Rosário. Com a obra Eu á Sombra da Figueira da Índia, obteve o 2º prémio de ficção em prosa no concurso Literatura e desenvolvimento, 1989, Instituto da Juventude/Sociedade Portuguesa de Autores. Enquanto que com o livro O Trabalho dos Meninos, recebeu uma menção honrosa no prémio Augustina Bessa Luís da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Para o escritor Américo Oliveira Santos: "Não falta quem pense que a primeira infância é um filão temático de sucesso antecipado, em que o que é apenas memória se substitui a literatura. Mas o que há, entretanto, é uma escrita muito exuberante, mas pouco fidedigna, concebida por pessoas que se lembram mal desse período nebuloso e que enveredam, mais ou menos conscientemente, pela colagem ou pela fusão de diferentes depósitos etários, de acordo com padrões estabelecidos. Eu á Sombra da Figueira da Índia de Alberto Oliveira Pinto, insere - se plenamente nessa arte pela conciliação brilhante da construção narrativa de um círculo de sombra (a que o eu se acolhe para dirigir os acontecimentos) com o respeito meticuloso dos emblemas desse universo recuado que aqui se tinge, secundariamente, das tonalidades tropicais, com brancos, mulatos, pretos, cabritos e cafusos sempre a entrar e a sair da alçada da retina. Da varanda gradeada ao volante do jeep, do aeroporto de Luanda ao chão da cozinha, da mangueira do jardim á macaca de giz, corre sempre uma leve aragem, um discurso solto onde floresce o registo onomatopaico, o tlic da grande linguagem poética que um dia soubemos e já esquecemos".

 

Informação Adicional

  • Nascido em: 1962-01-08
  • Naturalidade: Luanda
  • Gênero literário: Prosa
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