Sempre me espantou, dada a importância da África na formação do Brasil, a sua quase completa ausência, até há pouco, da nossa literatura de criação da nossa poesia, do nosso romance, do nosso teatro, do nosso conto. Tudo se passava como se o negro tivesse nascido nu no navio negreiro. Despido de passado e de cultura. Pura personagem brasileira. O negro é uma presença constante em nossa literatura, mas não o africano. Nem tampouco o continente de onde veio. Essa falta de curiosidade sobre grande parte de nosso passado já provocara uma censura amarga de Sílvio Romero, nos seus Estudos sobre a poesia popular do Brasil. Escrevia ele, em 1888: